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ARTIGO DO SINDEPOMINAS PUBLICADO PELA EDITORIA DE OPINIÃO DO JORNAL O TEMPO ABORDA A SEGURANÇA PÚBLICA EM MG E NO BRASIL
18maio / 2026
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REFAZER A SEGURANÇA PÚBLICA DEVE SER PRIORIDADE NO BRASIL
Cylton Brandão da Matta
Presidente do Sindicato dos Delegados de
Polícia de Minas Gerais (Sindepominas)
Como nunca visto antes no Brasil, a questão da criminalidade aparece, no bojo das pesquisas eleitorais, como uma das principais preocupações do brasileiro atualmente. Também de forma inédita e contundente, a luta por melhorias salariais e por condições de trabalho para os profissionais de segurança é recorrente em todos os estados neste ano. Com o agravante de que policiais civis, militares e penais, além de bombeiros, brigam por leis que assegurem reposição de perdas, anualmente, de forma automática.
Incrível como chegamos a esse ponto. O que deveria ser um direito é motivo até para aproveitamento político em todos os níveis do debate eleitoral país afora. Não que seja ilegítima a atuação política numa questão de tamanha importância. O fato é que a Segurança Pública tem problemas ainda mais profundos e carece de um projeto reformador. É muito mais que um direito das classes que operam os sistemas de prevenção ao crime e de coerção judiciária para quem infringe a lei. É o caso de priorizar uma revolução completa da Segurança Pública, a bem da coletividade.
O brasileiro teme sair pelas ruas e, indefeso, dar de cara com criminosos cada vez mais ousados e destemidos. Pior: todos nós sabemos como o crime está organizado para encarar o Estado. E as polícias estão cada vez mais enfraquecidas, com equipes reduzidas e péssimas condições de trabalho. Como consequência, licenças médicas constantes e desligamentos em série por desmotivação de toda ordem, sem a imediata reposição.
As forças de segurança de Minas Gerais acabam de conseguir reajuste de 5,4% retroativo a janeiro. Seria um alento se as perdas acumuladas nos últimos anos não superassem os 50%. Isso num estado que já figura entre os que pagam os piores salários aos policiais. Em outros estados, a recomposição salarial automática virou lei. Aqui, por mais que nossas entidades estejam somando apoio político, a PEC 40/2024, que trata do assunto, capenga no legislativo estadual.
A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), responsável pela investigação criminal técnica, viu a sua estrutura deteriorada por um governo que virou as costas para a Segurança Pública. O efetivo de policiais civis gira em torno de 40% do que define nossa Lei Orgânica. Por mais que se crie concursos públicos – e temos um em andamento -, parece cada vez mais longe alcançar o número de servidores ideal para apurar os casos com a celeridade que a sociedade precisa e merece.
O Sindicato dos Delegados de Polícia de Minas Gerais (Sindepominas) tem uma trajetória de luta pela categoria dos profissionais que dirigem delegacias, presidem inquéritos e apresentam indiciados à Justiça. Nossa nova diretoria assumiu há 100 dias para defender esse legado histórico e, mais ainda, contribuir para construção de uma política pública de Segurança. Valorização dos servidores e modernização tecnológica da estrutura física e funcional da PCMG são pontos de partida. O que é feito hoje nas delegacias beira ao heroísmo pelo comprometimento público dos policiais.
A história recente que revela falta de compromisso do poder público com o setor de Segurança indica a participação de todos num projeto consistente de reformulação. Como é preciso muito mais que bons salários para reverter esse quadro caótico, puxar o fio desse novelo é tão complexo quanto urgente. Os Delegados de Polícia podem contribuir nesse processo, unidos com todas as classes. Queremos ser ouvidos, também temos família e nossa consciência cidadã orienta para a soma de esforços em favor de uma segurança efetivamente pública.
Artigo publicado pela editoria de Opinião do jornal O Tempo no dia 18 de maio de 2026.