“REAJUSTE DA SEGURANÇA EM MINAS GERAIS É ERRO INSTITUCIONAL”, DIZ JOÃO DORIA

A tentativa do governador Romeu Zema (Novo) de reajustar os salários dos servidores da segurança pública foi criticada nesta segunda-feira (2) pelo governador de São Paulo, João Doria (PSDB). O tucano classificou a medida como um erro institucional, disse que ela pressiona os demais governadores do Brasil a conceder reajustes, e fez um apelo público para que a decisão seja revista pelo chefe do Executivo estadual.

“A meu ver, é uma decisão que precisa ser revista. Não é boa para Minas. O Estado não tem condição fiscal para isso. Não quero interferir nos temas de Minas, mas a minha percepção é de que ela não é boa, porque é inviável”, disse, em entrevista coletiva, durante participação no Conexão Empresarial, evento que aconteceu em Belo Horizonte.

O gestor lembrou dos problemas fiscais enfrentados por Minas e ressaltou que, por mais que o pleito dos agentes de segurança seja justo, não há condições financeiras para atender à reivindicação.  O projeto enviado pelo Palácio Tiradentes e aprovado pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) recompõe em 41,7%, até 2022, os vencimentos de policiais civis, militares, agentes socioeducativos. O impacto da medida será de R$ 9 bilhões até o fim do mandato de Romeu Zema. Além da recomposição para a segurança pública, a ALMG estendeu o reajuste para todo o funcionalismo público do Estado.

“Não quero classificar como um erro político do governador, mas é um erro institucional, operacional e fiscal. É preciso ter consciência, com senso e equilíbrio. E esse é o apelo, como alguém que gosta de Minas Gerais, eu aqui tomo a liberdade de fazer à Assembleia e aos mineiros para que tenham zelo e cuidado de não colocar uma situação de crise aguda nas finanças do Estado a curto prazo”.

 

PRESSÃO

O tucano ressaltou que a decisão de Zema pressiona os demais governadores. “Estabelece o conceito de: se Minas, com dificuldade financeira, pode fazer, e os outros Estados, por que não podem fazer? (Não podem) porque não há condição fiscal para isso. Portanto, é preciso que essa decisão seja revista no âmbito da sua legalidade”.

Em outubro do ano passado, enfrentando situação semelhante em São Paulo, Dória anunciou um reajuste de 5% para a segurança pública. O percentual frustrou os representantes da classe, que falavam numa defasagem salarial de 40%.

Sobre o caso de Minas Gerais, o tucano disse não ter dúvidas de que houve pressão da categoria pelo reajuste. “Não tiro a legitimidade dessa pressão. O que eu tiro é a legitimidade de você atender a essa pressão. A pressão sempre há, em qualquer Estado. Agora, você precisa ter resiliência, resistir e argumentar no bom diálogo, e não simplesmente atender ao apelo, sobretudo diante da falta de recursos”, explicou.

 

DIVERGÊNCIA

O governador de São Paulo também se encontrou, na manhã desta segunda-feira, com a bancada federal do PSDB de Minas e com o líder do bloco de governo na ALMG, Gustavo Valadares (PSDB). Os tucanos na Assembleia defendem o reajuste para a segurança pública.

“Expus a minha opinião. Evidente, eu não tenho nenhum poder, e nem quero interferir na política de Minas. Não me cabe ter esse papel, mas por bom senso, poderei. O reflexo disso no Brasil é muito ruim, muito nocivo. É uma medida que não afeta apenas Minas, afeta o país. Somos 26 Estados e a medida de Minas, se adotada for, coloca sob pressão todos os demais governadores”, declarou João Dória.

 

RESPOSTA

Em nota, o governador Romeu Zema (Novo) disse que “ressalta o bom relacionamento e respeito pelo governador João Doria”. Segundo o chefe do Executivo, a prova disso foi a reunião realizada “nesta segunda-feira para tratar da parceria envolvendo as defesas civis”, mas pontuou que “todos os temas relativos à administração do Estado de Minas Gerais são de competência exclusiva do governo mineiro, não cabendo, portanto, comentar opiniões externas”.

 

Fonte: Jornal O Tempo