ZEMA DIZ QUE É OFENSIVO SERVIDORES CLAMAREM POR DIREITOS COM DESEMPREGO EM ALTA

O governador Romeu Zema (Novo) disse que considera “ofensivo” que os servidores estaduais clamem por direitos quando milhões de pessoas perderam seus empregos em razão da pandemia do novo coronavírus. 

A declaração foi feita na inauguração de uma nova ala de tratamento para Covid-19 no Hospital Eduardo de Menezes, em Belo Horizonte, na manhã desta quinta-feira, 9.

“Não é certo no momento de pandemia quem tem segurança no emprego, porque tem estabilidade, tem o ganho garantido, estar clamando por direitos enquanto nós temos milhões de desempregados que tiveram sua renda reduzida em 100%”, disse o governador em resposta a uma pergunta sobre a suspensão temporária da tramitação da reforma da Previdência na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). 

“Eu vejo isso como ofensivo em um momento como esse. Quem ganha R$ 5 mil, R$ 10 mil está reclamando e tem um salário garantido enquanto muitas vezes quem ganhava um salário mínimo perdeu o emprego. Nós precisamos de um mundo mais solidário aonde os problemas sejam vistos na totalidade e não as pessoas ficarem olhando só para o próprio umbigo”, afirmou Zema.

A reforma da Previdência mineira foi apresentada pelo governo estadual no dia 19 de junho, durante a pandemia do novo coronavírus. 

Na quarta-feira, 8, o presidente da ALMG, Agostinho Patrus (PV) suspendeu temporariamente a tramitação da proposta e anunciou que serão realizados seminários durante a próxima semana para discutir a proposta, principalmente com a participação de representantes das diversas categorias do funcionalismo público. 

O anúncio ocorreu depois de deputados e associações e sindicatos que representam os servidores reclamarem da falta de debate em torno da proposta. Por causa do novo coronavírus, a ALMG não autoriza que o público acompanhe as reuniões de forma presencial. Além disso, nenhuma audiência pública foi realizada até o momento para discutir o texto.

Com a realização dos seminários, o governo de Romeu Zema (Novo) vai precisar negociar com o Ministério da Economia a prorrogação do prazo de 31 de julho para a aprovação da reforma. Segundo Patrus, é necessário prorrogar o prazo por mais dez a quinze dias.

Apesar da suspensão temporária, os deputados já fatiaram a reforma da Previdência e retiraram do texto o que chamam de “reforma administrativa”. Os trechos desmembrados versavam sobre direitos da carreira dos servidores, como a interrupção da concessão de adicional por tempo de serviço, adicional de desempenho, adicional trintenário e férias-prêmio, o que gerou forte reação dos sindicatos e dos deputados ligados ao funcionalismo público. Os parlamentares discutem agora somente questões previdenciárias.

Na entrevista coletiva desta quinta-feira, o governador Romeu Zema (Novo) disse ainda que a reforma da Previdência é a mais importante para Minas Gerais e que ela é fundamental para que o Estado tenha um orçamento equilibrado.

“Dá pra ver que essa situação financeira do estado é estrutural e crônica. Todos os anos a despesa com pessoal e aposentadorias sobe numa velocidade maior do que a arrecadação do Estado”, disse o governador.

“Caso ela não ocorra, o próprio servidor público que já tem sido prejudicado é quem continuará sendo o maior prejudicado. Há cinco anos o servidor público não recebe o salário pontualmente. Há cinco anos o servidor público recebe o décimo terceiro salário parcelado em diversas parcelas. Há cinco anos o servidor público ficou sem ter acesso a clínicas, exames, porque o Ipsemg simplesmente ficou sem recursos e interrompeu os repasses”, disse Zema.

Fonte: Jornal O Tempo