SUPOSTO GOLPE DE PIRÂMIDE FINANCEIRA É DESARTICULADO EM UBERLÂNDIA; CHEFE DO GRUPO É PRESO

Um esquema milionário que envolvia suposta prática de pirâmide financeira em Uberlândia foi desvendado pela Polícia Civil. Investigações apontaram que cerca de R$ 27 milhões foram movimentados ilegalmente. Há suspeita de estelionato, crimes contra relação de consumo e lavagem de dinheiro.

No total, 15 suspeitos foram alvos de mandado de prisão. Até o fim da manhã desta segunda-feira (9), nove pessoas – incluindo o dono da empresa Axe Trader, Ronan Cassiano da Silva – foram presas. O advogado de defesa dele informou que está tomando medidas para conseguir a liberdade do suspeito.

Contra Ronan, o mandado foi de prisão preventiva. Contra as outras oito pessoas, de temporária. Segundo a polícia, as buscas continuam para localizar as outras seis. Detalhes como idade e sexo não puderam ser revelados para não prejudicar as investigações, que começaram em 2018.

Bens foram bloqueados e pelo menos 70 pessoas podem ter sido lesadas. As informações foram divulgadas pelo delegado regional em Uberlândia, Marcos Tadeu Brandão, e o delegado de Meio Ambiente, Daniel Azevedo, na 9ª Região Integrada de Segurança Pública (Risp). 

A operação foi chamada de Imhotep, referência ao homem responsável pela construção da primeira pirâmide do Egito, a pirâmide de degraus de Djoser. Cerca de 45 policiais atuaram nos trabalhos.

 

CARROS DE LUXO

Segundo informou a Polícia Civil, dos 16 carros de luxo "bloqueados" até agora como parte do esquema de lavagem, sete foram apreendidos e já estão no pátio. Dentre eles, um Ford Mustang, que pode custar cerca de R$ 300 mil no Brasil.

Os delegados explicaram que, em geral, os automóveis eram comercializados com preços muito abaixo do mercado e usados também para sustentar a imagem de sucesso e vida de luxo que a empresa queria aplicar aos membros.

 

DINÂMICA DO GOLPE

De acordo com os delegados, o grupo criminoso prometia ganhos considerados irreais, com juros de até 30%, sob o pretexto de que faziam trades financeiras, ou seja, investimentos em ações na bolsa de valores.

A empresa oferecia, por exemplo, curso de Day Trade, uma estratégia de compra e venda de ações em um mesmo dia. Pessoas de outras cidades também foram atraídas. Algumas abandonaram empregos e a vida em outro município diante da promessa.

No entanto, segundo a investigação, na prática, os juros e supostos dividendos das supostas ações comercializadas eram pagos com o dinheiro dos últimos que entravam.

Até que, em determinado momento, o sistema financeiro ruiu e o grupo passou a não pagar os investidores, que denunciaram a prática à Justiça e polícia.

"Eles utilizavam a imagem de pessoas bem sucedidas, exemplos de quem se deu bem por ter escolhido a empresa. Fechavam camarotes de R$ 45 mil. Alugavam chácaras por R$ 20 mil e tinham uma sede suntuosa na Avenida Rondon Pacheco", afirmou o delegado Daniel Azevedo.

O delegado também disse que eles plotavam nos carros de luxo com a marca da empresa, para dar publicidade de que o produto era legal. "Mas não há nada que comprove que eles operavam na bolsa", disse.

 

CURSOS

Para gerir o esquema, os investigados sustentavam vida de ostentação e usavam, para dar credibilidade, cursos e palestras como álibis de que eram uma empresa séria do mercado. Mas, conforme os delegados, eles não prestavam os serviços financeiros de fato.

 

ALERTA

O delegado Daniel Azevedo também alertou às pessoas na cidade que não entrem em esquemas que prometam ganhos rápidos e volumosos em pouco tempo. "Gostaria de pedir uma atenção especial para aqueles almejam realizar investimentos. Primeiro lugar, identificar seu perfil e procurar instituições financeiras que sejam reconhecidas e reguladas", completou.

 

VÍTIMAS

Segundo o delegado regional, Marcos Tadeu Brandão, as pessoas que entraram no esquema com consentimento e consciência de ele ser algo, no mínimo, passível de desconfiança, também podem ser investigadas.

"Ele ia captando dinheiro e com os novos aportes adquiridos pagava as pessoas que já tinham investido. Um ponto muito importante é que o crime principal, que seria estelionato, é o que mais conta com a participação da vítima, que é seduzida por ganhos fáceis e muito altos e fora da realidade", afirmou Brandão.

 

VERSÃO DA DEFESA

Em entrevista ao MG1, o advogado Rafael Rodrigues disse que a prisão preventiva de Ronan Cassiano foi infundada já que o cliente não teve oportunidade de ser ouvido pela polícia.

“Eu entreguei passaportes, documentos e comprovantes de residência solicitando dia e horário para ele ser ouvido e não foi. Agora, estou em busca de acesso aos autos para saber o fundamento da prisão. E também tomando medidas cabíveis para conseguir a liberdade do meu cliente”, disse.

 

Fonte: G1