POLÍCIA REVELA ESQUEMA DE PERFIS FALSOS EM APLICATIVOS DE TRANSPORTE DE BH

Ao menos 100 motoristas de dois aplicativos de transportes de passageiros estão usando perfis falsos para atender clientes nas ruas de Belo Horizonte e região metropolitana. Os condutores fazem parte de um esquema criado há cerca de seis meses por dois irmãos, de 29 e 31 anos, que falsificavam documentos para fraudar cadastros nos apps e vendê-los a condutores mal-intencionados por até R$ 500. Um desses motoristas é investigado por suspeita de estuprar uma cliente dentro do veículo.

O esquema foi desvendado nessa terça-feira (26), durante uma operação da Polícia Civil em imóveis nos bairros Camargos, na região Oeste da capital, e no bairro Tropical, em Contagem, Grande BH. Foram apreendidos cerca de 70 carteiras de habilitação falsas, 60 documentos de veículos, uma impressora e 300 chips para celular em um apartamento no bairro Camargos, na região Oeste da capital.

Para criar os perfis falsos, os suspeitos confessaram ter criado uma empresa de fachada. Eles ofertavam vagas de emprego para motoristas e manobristas pela internet com a única finalidade de conseguir cópias digitalizadas da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) das vítimas. Os documentos eram adulterados por meio de um programa de computador e usados para cadastrar motoristas interessados em prestar serviços como motorista de aplicativo sem ter a verdadeira identidade revelada.

Os irmãos podem pegar de dois a seis anos de prisão por uso de documento falso. “As investigações vão continuar para identificar os motoristas que estão comprando esses perfis”, garantiu a delegada Larissa Mascotte, da Delegacia Especializada de Combate à Violência Sexual em Belo Horizonte.

CLIENTE DO ESQUEMA É SUSPEITO DE ESTUPRO

O esquema de falsificação de perfis para uso em aplicativos de transporte foi descoberto a partir de uma denúncia de estupro registrada contra um motorista em dezembro de 2018. Segundo a Polícia Civil, uma mulher foi abusada sexualmente pelo condutor durante uma corrida. Durante as investigações, a polícia descobriu que ele usava uma conta com dados falsos, criada pelos irmãos presos ontem, para trabalhar no app.

“O motorista trancou as portas, não deixou ela sair do carro e a obrigou realizar sexo oral nele”, descreveu a delegada Larissa Mascotte. Outras duas vítimas já registraram queixa contra o mesmo suspeito. Ele é investigado pela Polícia Civil, mas está solto por não ter sido preso em flagrante.

 

Fonte: Jornal O Tempo