OPERAÇÃO 'DE GRÃO EM GRÃO' PRENDE DEZ POR DESVIO DE CARGA EM MINAS GERAIS

A organização criminosa especializada em desvio de cargas em todo território nacional, que atuava constantemente no Triângulo Mineiro, teve uma baixa nesta quarta-feira (17). A segunda fase da “Operação - De Grão em Grão”, fruto de uma parceria entre Polícias Civil de Minas e Goiás e Polícia Rodoviária Federal (PRF), terminou com dez suspeitos presos e seis caminhões apreendidos.  

Essa fase teve início, há quase seis meses, após empresários do ramo de soja da cidade de Alfenas, no Sul de Minas, procurarem a Polícia Civil local e denunciar terem sido vítimas do desvio de soja na 050, na altura da cidade de Passos, na mesma região.

A partir daí, a Polícia Civil deu início as investigações, fizeram reuniões, oitivas e análises de telefones. Com esses levantamentos, foi possível identificar que esses suspeitos que cometiam desvios em Passos também eram responsáveis por desfalques e furtos qualificados no Triângulo Mineiro e em outras partes do país.  

Segundo informou a Polícia Civil, as vítimas eram quase as mesmas: empresários do ramo de grãos. O processo do grão é o mesmo. Colhe, armazena, vende, transporta e entrega. Alguns empresários possuem silo (armazenamento de grãos) e outros alugam um silo.

O grão segue armazenado até que o empresário entenda que o preço de venda está de agrado. Depois de realizada a venda, é hora de contratar uma transportadora para efetuar o translado do grão do silo até o porto de Santos, onde a mercadoria é exportada.

“Essa empresa contratada para o transporte faz um novo contrato com o empresário. Aí que entra a organização criminosa. Neste ponto, a quadrilha vislumbra a possibilidade de transporte. Nesse momento, a organização criminosa manda seus motoristas fazerem contato com essas transportadoras para carregar os grãos”, explica o delegado Pimenta, responsável pela Delegacia Regional de Passos. 

 

PRIMEIRA FASE DA OPERAÇÃO “DE GRÃO EM GRÃO”
 
A polícia identificou que no dia 9 de maio essa organização criminosa iria atuar novamente. Nesta data, os policiais envolvidos na ação acompanharam todo o transporte do grão a partir de um silo em Delfinópolis. 

“No dia nove de maio, acompanhamos o caminhão ininterruptamente. Em Delfinópolis, o caminhão passou por uma balsa para cruzar o Rio Grande e chegar em Cássia, que era a primeira cidade. Aqui, aparece um carro batedor dessa organização criminosa para fazer a segurança do veículo. Chegando em Itaú de Minas, esse motorista deixa o caminhão, entra no carro de escolta e vai para uma pousada em Uberaba, no Triângulo Mineiro. Um outro integrante da quadrilha entra no caminhão deixado em Itaú de Minas, pega estrada e deixa o grão em um silo muito grande na cidade de Bambuí, ao invés de levar a mercadoria para o porto de Santos”, explica o delegado.

Na ocasião, a Polícia Civil fez a prisão do motorista e de um empresário local que estaria estocando esse grão em Bambuí. Só nessa ação, foram recuperamos trinta e duas  toneladas de soja. Essa foi a primeira fase da “Operação - De Grão em Grão”, que culminou nessa segunda fase. 

“Esses motoristas saíam daqui de Minas, iam para outro Estado próximo, e ludibriavam a polícia. Esses condutores diziam que estavam na rodovia mineira, quando teriam sido abordado por dois veículos com criminosos, que teriam levado a carga e abandonado eles em outro Estado. Mas na verdade a história era falsa. Até o momento apuramos um desvio de quase R$ 15 milhões”, conta o delegado Pimenta.   

 

SEGUNDA FASA DA OPERAÇÃO “DE GRÃO EM GRÃO”

O combate a essa organização só foi possível com a troca de informações e o trabalho conjunto das Polícias Civil de Minas e Goiás e Polícia Rodoviária Federal.

“Em uma investigação de seis meses, conseguimos desmantelar uma organização criminosa que atuava no desvio de grãos, principalmente soja, aço, ferro e agora produtos de higiene de contenção do covid-19. Essas prisões colocam fim a um extenso prejuízo para o transporte de carga, principalmente no Triângulo Mineiro”, afirmou o delegado Márcio Nabak, chefe do Departamento Estadual de Investigação de Crimes contra o Patrimônio. 

Fonte: Rádio Itatiaia