IDOSO DE 77 ANOS É SUSPEITO DE ABUSAR DE PELO MENOS SETE CRIANÇAS EM BETIM

Um idoso, de 77 anos, está preso suspeito de abusar sexualmente de pelo menos sete crianças, em Betim, na região metropolitana de Belo Horizonte. A Polícia Civil revelou o caso nesta segunda-feira (15), durante uma coletiva de imprensa na Delegacia Regional.

As investigações tiveram início há cerca de um mês e revelaram que, entre as vítimas, estão uma menina de 10 anos, duas adolescentes de 17, duas mulheres de 29 e uma de 33, que foram abusadas na infância. A maioria delas são do mesmo núcleo familiar e relataram que os abusos tiveram início quando iam vistar a avó, que morava no bairro São Caetano e era vizinha do suspeito.

Tudo começou quando uma das primas mais velhas ficou sabendo que a pequena, de 10 anos, estaria frequentando a casa do idoso. "Fiquei com medo que ele fizesse com ela o que fez comigo na minha infância e, embora não tivesse revelado nada do que sofri nesses anos todos, me senti na obrigação de alertar os pais dela de que ele não era alguém confiável. Foi quando todo mundo começou a me questionar porque eu estava falando aquelas coisas e eu abri o jogo. Infelizmente, já era tarde, porque ele já tinha abusado dela", revelou uma das vítimas, de 29 anos, que preferiu não se identificar. 

E foi depois que a jovem contou sobre os abusos sofridos, que outras duas primas, de 17 anos, também revelaram que foram vítimas do homem. "Os abusos começaram quando eu tinha cerca de 5 anos e, naquela época, eu não sabia o que era aquilo, se era certo ou errado. Ele passava as mãos em mim, me obrigava a tocar o órgão genital dele também e dizia que se eu contasse para alguém iria matar minha avó", contou a jovem, que durante muitos anos se automutilou, tentou tirar a própria vida e até hoje luta contra a depressão. 

"Ele não tinha o direito de fazer aquilo comigo. Eu era só uma criança e o certo seria que isso tudo acontecesse na hora certa, quando eu estivesse preparada e com a pessoa que eu escolhesse. Marcou demais minha infância e, durante muitos anos, me impediu de me relacionar afetivamente. Tinha medo, me sentia muito insegura para namorar", afirmou.

A mãe da outra adolescente de 17 anos e tia da menor, de 10 anos, contou que a família jamais poderia imaginar que o idoso fosse capaz disso. "Ele sempre foi amigo de todos, frequentava a casa da minha sogra, tinha livre acesso à residência. Está sendo muito difícil para todos nós. Esse abuso causou muitos problemas à minha filha. Já tivemos que recorrer à médicos, porque teve uma época que ela não conseguia nem dormir, precisava de remédios, enfrentou uma depressão fortíssima. Agora, o mesmo está acontecendo com a minha sobrinha de 10 anos, que ficou lá em casa um dia desses e está claramente apavorada, têm crises repentinas de choro, não quer ficar sozinha de jeito nenhum".

De acordo com a delegada responsável pelo caso, Ariadne Elloise Coelho, as investigações mostram que o homem usava a própria neta para atrair a vítima de 10 anos para sua residência. "Ele tem uma neta de 13 anos, que já foi ouvida e garantiu que nunca foi assediada pelo avô, porém, ela relatou que muitas vezes percebia a coleguinha amedrontada na presença dele, que achava estranho quando ia na cozinha, por exemplo, e quando voltava, ela estava sentada no sofá do lado do avô", pontuou.

Ainda segundo a delegada, nem todas as vítimas relataram ameaças por parte do idoso, mas que em muitas ocasiões ele oferecia balas, doces e dinheiro para ganhar a confiança das crianças e não tinha nenhuma passagem pela polícia. "É um traço típico de pessoas que cometem esse crimes. Geralmente são amigos ou até parentes das famílias das vítimas, são prestativos, educados e, justamente por isso, não levantam suspeitas de ninguém", ressaltou.

O homem está preso preventivamente no Ceresp da Gameleira, na capital, e a polícia acredita que outras vítimas deverão surgir nos próximos dias. No entanto, no fim do inquérito, caso seja condenado, devido à idade, o homem poderá ser condenado à prisão domiciliar. "Além da idade, neste momento de pandemia, é possível que a justiça considere que ele também está vulnerável, uma vez que está no grupo de risco. Com isso, a condenação pode acabar, sim, em prisão domiciliar", pontuou a delegada.

Para a vítima, que decidiu denunciar os abusos para proteger a prima de 10 anos, a possível sentença é revoltante. "O que ele fez deixou marcas profundas em todas as vítimas e certamente deixará na minha prima pequena. Ele tem que pagar por tudo que fez. Até porque, eu fui abusada há 20 anos e, mesmo depois de todo esse tempo, ele não parou com isso. Prova disso é o que ele foi capaz de fazer com minha prima, usando a própria neta como isca", lamentou.

MANTER O DIÁLOGO

A delegada Ariadne Elloise Coelho ressalta que, a maneira mais eficaz de combater esse tipo de crime é mantendo o diálogo com as crianças. "Os pais precisam conversar, orientar, falar sobre isso abertamente e ter uma relação de confiança com os filhos para que, caso venham sofrer qualquer tipo de ameaça ou abuso, eles não se calem, não tenham medo de contar. Na correria do dia a dia, as famílias acabam esquecendo da importância de reforçar esses laços, que podem garantir a segurança da infância dos seus filhos".

Fonte: Jornal O Tempo